É engraçado, mas todas as vezes que vou à Volta Redonda, o meu lugar, tenho a vontade de postar um trecho de uma canção religiosa em algum dos meus perfis nas redes sociais. Chego na casa de meus pais, abro o velho livro, já um pouco surrado, dos cânticos que entoávamos em uma época não tão distante, e fico escolhendo canções para recordar; cantarolo uma, redescubro outra e sempre me maravilho com a beleza, a riqueza e a força do que cantava.
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11/03/2013
20/12/2012
Passará!
O mundo vai acabar de novo. Decida como!
Foi inspirado por Giovana (mais uma vez) e pelo Gabriel (de novo também) que resolvi escrever este texto. Foram os dois que me inspiraram a abrir e manter esse blog, aliás, devo dizer. Bem, dizem por aí que o mundo vai acabar amanhã. Mas esse assunto é tão velho e batido que com apenas pouco mais de duas décadas de vida, já presenciei alguns finais de mundo.
06/08/2012
Elisa e a Poesia (ou: a matéria que não saiu)
O milagre da poesia*
Elisa Lucinda ministra aula aberta de
Poesia Viva em sua Casa Poema, no Rio de Janeiro
Fotos: Natássia Carvalho
Rio
É como se fosse uma pregação religiosa.
Hipnotizados, em profundo silêncio – quebrado aqui ou ali por gargalhadas e
comentários bem pontuais -, todos ouvem atentamente a poetisa: “A palavra
também faz parte da estética. Pode enfeitar ou enfeiar a pessoa. A poesia é o
instituto de beleza das palavras”, começa Elisa Lucinda, para os trinta pares de olhos atentos a cada
traço, à sua menor expressão.
06/06/2012
Por que não?
Entre o preto e o branco existem 256 tons de cinza. Esta é uma lição importante não apenas para quem trabalha com paletas de cores. É um ensinamento que exige atenção. Existem muitos jornalistas arrogantes, mas nem todos são. Nem toda cultura neopentecostal é alienada (ou alienante) politicamente. Nem todas as feministas são histéricas. Nem todos os policiais são maus, ambientalistas não são chatos em sua totalidade . Lutar contra o maniqueísmo [fácil, simples, redutor] é um exercício diário.
11/04/2012
O Fantástico Mundo de Jader no Purgatório da Beleza e do Caos - Ano I
Coisa mais linda, cheia de graça...
Foto belíssima do amigo Weder Ferreira
Foto belíssima do amigo Weder Ferreira
Há exato um ano, saí de casa rumo ao que muitos chamavam de "ilusão". Aquela cidade cheia de encantos mil seria inverossímil fora das lentes ficcionais de Manoel Carlos. Outros, e essa ala também era grande, acreditavam que eu estava cometendo uma loucura. Trocar a cidade pequena, os amigos tão próximos, o aconchego da família, pela metrópole conturbada que viam nos jornais não podia ser uma decisão sábia.
Não tiro a razão de um grupo nem de outro.
Encontrei a ilusão. Nas esquinas do Morro, nas ruas da Lapa, na Quinta lotada para gritar a Consciência Negra, na Casa Verde em que estou internado desde que cheguei aqui, nos bares, nos lares, estádios, nas amizades que fiz.
Encontrei também a realidade, nua e crua, bem ao gosto do freguês: os racistas escondidos na sacristia, os mesmos de sempre fazendo os mesmos de sempre com os mesmos de sempre, a política em sua pior forma, o garoto que revirava o lixo à procura de comida, o garoto maltrapilho que me levou vinte reais na saída da rodoviária, o esgoto, o descaso, a mentira.
[pobreza de espírito essa nossa mania de achar que a felicidade é ilusória enquanto a crueza da vida, somente ela, pertence ao mundo real]
Eu e os melhores momentos, ao lado das melhores pessoas
A vida deu um giro e a impressão é que vivi mil anos em 365 dias. Envelheci. Rejuvenesci. ♪ Mudaram os horários, hábitos, lugares, inclusive as pessoas ao redor / São outros rostos outras vozes, interagindo e modificando você ♪
Mas acho que as experiências, os fatos, as emoções deste último ano já estão devidamente registradas neste blog (pode ler aqui, ou aqui, ou então aqui, ou mesmo aqui, se quiser aqui, aqui uma vez mais, e em muitos outros). Neste post quero sobretudo agradecer publicamente:
- aos que, concordando ou não, respeitaram minha decisão e compreenderam o quão importante para mim era vir para cá (mãe, pai, Vini, Bia);
- àqueles que me fizeram sentir em casa aqui (Anderson, Anelise, Clarissa, Isis, Mari, André, Bruno, Lu, Tete, Vivian, Ricardo, Jo, Livia, Tati, Aline, Victor e, claro, Borel);
- aos que me ajudaram de alguma forma neste processo (Gabriel, Léo, Pingo, Sheila, Lucas, Ana, Mads, Dona Helena);
- e à todos, enfim, que me fazem sentir saudade imensa de Volta Redonda (Giovana, Ricardo, Fernanda, Tássila, família, JC, Jo, garoto que roubou o coelho na Praça Brasil - porque, na moral, tem coisas que só acontecem em VR! rs).
Obrigado a todos - e especialmente aos que esqueci de listar, mas de antemão já me perdoaram!
E aos que tinham medo, aos que tinham dúvidas, quero tranquilizá-los. A cidade que sempre sonhei, sempre amei e sempre desejei viver é ainda melhor do que eu poderia imaginar.
Por que escolhi esta foto para encerrar? Não sei. É na Providência,
só para constar. E foi espontânea. Gosto dela.
só para constar. E foi espontânea. Gosto dela.
16/03/2012
Amenidades
Voltei. Andei meio sumido do blog, das redes sociais, do mundo virtual. A vida real anda muito corrida, sobra pouco espaço para essa aqui. Nesse tempo, tive muita vontade de dizer ao mundo algumas coisas – porque, afinal, é para isso que se escreve aqui, não? Para que o mundo leia nossos anseios, angústias, reflexões, devaneios. Ainda que o mundo se resuma aos seus habituais cinco ou seis leitores.
Quem acha o contrário que escreva seus textos em um caderno! Eu mesmo tenho um em que escrevo o que não quero (ou não posso) escrever aqui. Escrevo só para mim mesmo. Abro de vez em quando. Leio. Risco. Avalio. Comento – no próprio caderno. Mas aqui não! Aqui escrevo o que quero público, o que quero expor, o que o mundo pode ler.
Um dia terei coragem de publicar aqui alguns textos de lá. Tem um, aliás, que valeria a minha cabeça (e confesso que posso estar exagerando para supervalorizar meu caderno). Mas hoje não! Hoje quero escrever apenas amenidades. E vamos a elas, depois deste preâmbulo inútil:
Oscar
Paguei minha dívida com o Oscar no último fim de semana. Fui assistir três dos principais filmes que concorreram à premiação este ano: O Artista, A Invenção de Hugo Cabret e A Dama de Ferro. Os três são ótimos filmes, especialmente os dois primeiros, ambos uma homenagem ao cinema e ao encantamento que sua magia produz em nós, espectadores (o terceiro vale sobretudo por Meryl Streep).
Carnaval
É péssimo para o carnaval que aconteça o que aconteceu este ano: um abismo entre o resultado oficial e a opinião popular. A Vila Isabel foi consagrada por público e crítica (que nem, sempre combinam), mas os julgadores não enxergaram o mesmo desfile. E o que foi pior este ano é que a discrepância entre público e jurados não esteve restrito ao topo do pódio, como já aconteceu outras vezes. Desta vez, o resultado foi contestado do início ao fim.
A Portela não merecia apenas o sexto lugar. E a Mangueira? Quem faz o que a Mangueira fez na e com a Sapucaí na segunda de carnaval não pode ficar fora do desfile das campeãs. Ainda mais com uma inexplicável Grande Rio entre as primeiras (enredo fraco, samba fraquíssimo, desfile morno).
Isso sem contar os injustificados nono e décimo-primeiro lugares de Mocidade e São Clemente, respectivamente. A Liesa precisa rever já este modelo de julgamento e o próprio corpo de jurados. Um belíssimo carnaval como foi o deste ano não pode terminar tão lacônico na quarta de cinzas.
Rio
E não é que mês que vem faz um ano que estou morando no Rio? Incrível como voa. Mas não vou escrever nada agora não, porque a data vai merecer um texto específico. Apenas é bom registrar: não era apenas uma ilusão.
Jogo
E o Flamengo, hein? Peguei ônibus, peguei trânsito, peguei chuva e fui ao Engenhão. Ah, Flamengo! Como escrevi há pouco no facebook e reproduzo aqui:
Torcer para um time é tão desgastante, demanda tanta energia, que às vezes me pergunto se não seria melhor ser indiferente, assitir SBT às quartas à noite, simplesmente não torcer. Mas isso não é algo que se escolhe. Felizmente.
Mestrado
Começou! Mas esta não é uma amenidade. Estou adorando. Só que não é amenidade, fato! Ou seja, fora daqui!
Mais
Tinha mais coisa que queria falar. Mas chega. Hora de desligar os motores. Deixa para a próxima. Quem sabe não vem aquele do caderno?
Paguei minha dívida com o Oscar no último fim de semana. Fui assistir três dos principais filmes que concorreram à premiação este ano: O Artista, A Invenção de Hugo Cabret e A Dama de Ferro. Os três são ótimos filmes, especialmente os dois primeiros, ambos uma homenagem ao cinema e ao encantamento que sua magia produz em nós, espectadores (o terceiro vale sobretudo por Meryl Streep).
Carnaval
É péssimo para o carnaval que aconteça o que aconteceu este ano: um abismo entre o resultado oficial e a opinião popular. A Vila Isabel foi consagrada por público e crítica (que nem, sempre combinam), mas os julgadores não enxergaram o mesmo desfile. E o que foi pior este ano é que a discrepância entre público e jurados não esteve restrito ao topo do pódio, como já aconteceu outras vezes. Desta vez, o resultado foi contestado do início ao fim.
A Portela não merecia apenas o sexto lugar. E a Mangueira? Quem faz o que a Mangueira fez na e com a Sapucaí na segunda de carnaval não pode ficar fora do desfile das campeãs. Ainda mais com uma inexplicável Grande Rio entre as primeiras (enredo fraco, samba fraquíssimo, desfile morno).
Isso sem contar os injustificados nono e décimo-primeiro lugares de Mocidade e São Clemente, respectivamente. A Liesa precisa rever já este modelo de julgamento e o próprio corpo de jurados. Um belíssimo carnaval como foi o deste ano não pode terminar tão lacônico na quarta de cinzas.
Rio
E não é que mês que vem faz um ano que estou morando no Rio? Incrível como voa. Mas não vou escrever nada agora não, porque a data vai merecer um texto específico. Apenas é bom registrar: não era apenas uma ilusão.
Jogo
E o Flamengo, hein? Peguei ônibus, peguei trânsito, peguei chuva e fui ao Engenhão. Ah, Flamengo! Como escrevi há pouco no facebook e reproduzo aqui:
Torcer para um time é tão desgastante, demanda tanta energia, que às vezes me pergunto se não seria melhor ser indiferente, assitir SBT às quartas à noite, simplesmente não torcer. Mas isso não é algo que se escolhe. Felizmente.
Mestrado
Começou! Mas esta não é uma amenidade. Estou adorando. Só que não é amenidade, fato! Ou seja, fora daqui!
Mais
Tinha mais coisa que queria falar. Mas chega. Hora de desligar os motores. Deixa para a próxima. Quem sabe não vem aquele do caderno?
29/12/2011
O Ano 11
(há uma série de links perdidos em todo o texto. Dezenas, para falar a verdade. Deu muito trabalho. Fico agradecido se você olhar pelo menos um, rs.)


Conheci Mari, Isis (direto do Acre), Lívia e Dé. Conheci Pankinha, a quem já havia sido apresentado por Eliane Brum um ano antes, mas que passei a chamar de amigo.
Chorei como poucas vezes havia chorado. De saudade. De medo. De amor. Do mundo racista. De alegria também. De histórias bobas contadas na tela – e de outras nem tão bobas assim narradas nos telejornais.
Escrevi, pois este é o meu ofício, minha paixão, minha arte. Escrevi no jornal uma das reportagens que mais me deram orgulho nestes poucos anos de repórter, nos relatórios sem fim do novo trabalho, no blog, que tem sido meu maior refúgio nestes tempos metamórficos.
Experimentei os sopros de novidade da metrópole tropical: os sambas nas quadras, o por do sol na praia, os papos nos botequins. Experimentei dizer não, brigar pelo que acredito, fazer cara feia. E gostei.
Foi um ano cheio. Mas apenas um avant-première do que se aproxima. 2012, este sim, será um ano de profundas mudanças. A começar pelo casamento, a continuar pelo Mestrado, e por aí vai. Espero sobreviver a ele. Espero que seja parecido com o que se passou, em que tanto vi, mudei, conheci, chorei, escrevi, experimentei, descobri, ri, amei, dancei, beijei, bebi...
Vivi!
(Ei! Os links perdidos não são apenas os três ou quatro que estão na cara, não! Procura mais! rs)
23/12/2011
Eu acredito em Papai Noel
De repente o telefone toca:
- Alô. Jader?
- Sim.
- Jader, é a Roberta.
- Diga, Roberta!
- Você perdeu sua carteira na Lapa?
- Perdi.
- Então... encontraram sua carteira, acharam um cartão [de visitas] meu dentro dela, e me ligaram para te encontrar. Anota aí o número do cara. O nome dele é Mauro.
Assim começou minha semana de Natal. Era uma segunda-feira de manhã. Cerca de 72 horas antes havia perdido todos os meus documentos e cartões após sair da "festa da firma", no Circo Voador. Quem já perdeu um documento sabe o transtorno que é: entre ir à delegacia registrar ocorrência e ligar para o banco para cancelar o cartão, reina a preocupação de que alguém pode estar naquele exato momento se passando por você. Perder a identidade é uma metáfora brutal do estado em que você se sente em momentos como este.
Mas os documentos foram parar na mão de uma jovem, a filha do Mauro. Que encaminhou ao pai. Que ligou para Roberta. E a boa nova, enfim, chegou até mim. CPF, RG, Título de Eleitor, Cartão de Débito, Cartão de Loja. Tudo de volta. Quando as esperanças já tinham ido embora. Quando eu já tinha chorado. Já tinha questionado tudo. Por conta de uma simples carteira.
E eis que apareceu o Mauro. Quem é Mauro? Um engenheiro que trabalha numa oficina de botes em uma esquina movimentada no Centro do Rio. Simples, um pouco de graxa aqui e ali, surge com a carteira nas mãos e sedento por contar suas histórias. Sim, é um homem de histórias. Daquelas comuns que de tão comuns são extraordinárias.
Mauro é um super-herói à brasileira. Conta de quando devolveu os pertences de outras doze pessoas, usando a mesma tática que utilizou para me encontrar; conta dos quatro garotos afundados no álcool que tirou da rua, mesmo "sem trabalhar com o social"; conta das lições que passou para a filha sobre honestidade e o sentido de se colocar no lugar do outro; conta até de uma fila de hospital que furou graças às suas despretensiosas benfeitorias. Um herói à brasileira, repito.
Desta vez, foi meu bom velhinho. Dele, ganhei dois presentes. O primeiro e mais óbvio, a carteira (minha Identidade de volta!). O segundo é um pouco mais subjetivo. Pode ser expresso na frase que Mauro me disse ao encerrar nossa breve conversa:
"Nós nascemos para fazer o que? Para fazer o bem e nada mais".
Podem acreditar, ainda existem homens. A bondade ainda persiste. A luta dura não flexiona o caráter. Pode acreditar, Papai Noel existe!
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Este é meu post número 100 no blog. 100 posts, 35 meses, 259 comentários, mais de 9.000 views. Obrigado a todos vocês que passaram por aqui! Obrigado em especial ao grande amigo Ricardo Vieira, que engrandeceu este espaço com dois posts "tops de linha" (ou seriam três? rs); à titia Giovana Damaceno, com seus comentários assíduos em mais de 90% das postagens; e ao gigante Gabriel Araújo, que foi o grande impulso para que eu fizesse esse blog - nem sei se ele mesmo sabe disso, rs.
Que venham mais 100, mais 35, mais 259, mais 9.000! Feliz Natal a todos!
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Este é meu post número 100 no blog. 100 posts, 35 meses, 259 comentários, mais de 9.000 views. Obrigado a todos vocês que passaram por aqui! Obrigado em especial ao grande amigo Ricardo Vieira, que engrandeceu este espaço com dois posts "tops de linha" (ou seriam três? rs); à titia Giovana Damaceno, com seus comentários assíduos em mais de 90% das postagens; e ao gigante Gabriel Araújo, que foi o grande impulso para que eu fizesse esse blog - nem sei se ele mesmo sabe disso, rs.
Que venham mais 100, mais 35, mais 259, mais 9.000! Feliz Natal a todos!
02/11/2011
Memórias de um futuro em construção
Apresentador: (em tom lacônico) Tiroteio deixa mortos no Jacarezinho. (de repente, o tom fica eufórico) E nós fomos a primeira equipe a chegar! As imagens que vocês vão ver são exclusivas!
Escutei o monólogo enquanto passava em um trailler no fim de uma tarde. Não me atentei para o canal, mas a voz do apresentador não era totalmente desconhecida (suspeito que os apresentadores desses programas espreme-que-sai-sangue que enchem as grades das TVs brasileiras façam curso de locução em um mesmo local, tamanha a semelhança).
Levei certo choque com o tom do apresentador, ao vibrar com a "exclusividade" da emissora na cobertura da tragédia.
Lembrei de Bourdieu, em suas ásperas críticas às práticas jornalísticas na TV, sobretudo com relação à desenfreada busca pelo furo. Mas também quando relata a recorrência no jornalismo dos fatos-ônibus.
Pensei em Kellner, que havia acabado de ler, o livro ainda em minha mochila, com suas observações sobre a cultura da mídia e seus efeitos para a conformação de certos padrões e ideologias em nossa vida social.
Recordei, ainda, com bastante carinho, das horas a fio de discussões junto a meus colegas de faculdade sobre o papel da imprensa na sociedade e sua predileção pelas notícias trágicas, sua insensibilidade nas barbáries, sua gananciosa corrida pela audiência.
As aulas de jornalismo na faculdade, ao menos aquelas boas aulas, eram sempre regadas a polêmicas e muita discussão. Em geral, era um exercício de crítica à mídia - críticas tão ácidas que acho que Benjamim, Adorno e outros teóricos de Frankfurt iriam se orgulhar.
Lembrar da faculdade foi o que me tirou da indignação que o apresentador me causou.
Entramos na faculdade, todos nós, com vontade de mudar o mundo, como é comum aos estudantes de jornalismo. Mas estávamos sedentos por descobrir as ferramentas e instrumentos necessários para fazer essa mudança, a partir de nosso "lugar" de jornalistas.
Eu me recordo de quando fomos apresentados a Foucault. Sexta-feira à noite, quinto período, Cultura das Mídias. Uma professora jovem com um texto indecifrável nas mãos. Levamos para casa, lemos, e na semana seguinte voltamos com um pedido: traduza. E parágrafo por parágrafo, a "trinta mãos", traduzimos. E dali em diante, e pela primeira e única vez em quatro anos, a sala não ficou vazia em nenhuma sexta-feira daquele semestre.
McLuhan, apresentado alguns anos antes, também nos encantou com suas reflexões sobre as ferramentas enquanto extensão do homem. Era fascinante. Da mesma forma, entusiasmados ficamos quando o Observatório de Imprensa tornou-se material semanal de aula e as discussões geradas no programa eram reproduzidas naturalmente em sala. Ou ainda quando produzimos nosso primeiro curta-metragem profissional. Boas lembranças!
Era uma turma diferenciada, sem dúvidas. Que ensaiou uma "greve" para aquisição dos laboratórios, mas nunca conseguiu organizar um churrasco sequer durante todo o tempo de faculdade.
Os caminhos naturalmente se separaram e, quase um ano após a última aula, mantenho contato constante com poucos - ainda que fale esporadicamente com a maior parte. Alguns estão na TV, outros na rádio, em assessorias, impressos, ou ainda encontrando seu lugar no mundo.
Neste último grupo me incluo. Talvez esteja solitário até. Não estou na TV. Não estou no rádio. No impresso. Tampouco em assessoria. Quando alguém me pergunta o que estou fazendo, em geral demoro cinco minutos para tentar explicar - e não tenho certeza se a pessoa entendeu.
Estou procurando meu lugar no mundo. Descobrindo qual é o meu mundo. Às vezes acho que é mais pra lá, depois tenho certeza que é pra cá, e sigo tentando descobrir.
Sou jornalista. É o que sei e muito me orgulho. Há alguns dias, quando no cartório me perguntaram sobre qual a minha profissão, não exitei em responder. Porém, mais que isso ainda não sei. Estou descobrindo, vivendo pra descobrir, experimentando.
Quem sabe um dia eu não descubro? Se é do lado de Bonners, Barcellos, Morenos e Padrões ou do lado de Kellners, Foucaults e Benjamins. Ou talvez de lado nenhum. Do lado da Bia, apenas, porque não?
Esse não é um momento de certezas. Para mim, é um momento de dúvidas. E, hoje, são essas dúvidas que me movem.
Pra onde?
Pra frente...
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