25/04/2011

Mulheres do Borel


Meu primeiro trabalho, de fato, no Complexo do Borel aparecia no horizonte como algo tedioso: inscrições para o programa Mulheres da Paz, do Ministério da Justiça. Mas pobre Jader, entende tão pouco da vida... como poderia ser chato ou tedioso o exercício de ouvir histórias das mulheres da comunidade durante todo o dia? Definitivamente, não entendo de nada.

Jovens, às vezes muito jovens, com preocupações de adultas: filhos, casa, trabalho. Idosas com o mesmo fio de esperança do futuro que as crianças. Vidas diversas, com histórias distintas, mas um ponto comum: o desejo de construir uma vida nova a partir da mudança de ares vivenciada nestes últimos tempos. Mas ainda com receio; ainda com medo; ainda com desconfiança de que a paz esteja apenas passando uma temporada por aquelas bandas.

Entre tantos rostos, tantas histórias, uma mulher em especial me chamou a atenção. Seu nome? Maria da Paz - tão clichê que não caberia sequer numa novela de Manoel Carlos. Maria é uma síntese de todas aquelas mulheres que passaram por ali naquela tarde: trabalhadora, mãe, moradora do morro e agarrada à única perspectiva qe lhe apareceu em muitos anos, um curso para terminar o ensino fundamental e, quem sabe, reescrever seu futuro.

Maria é uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta.

7 comentários:

Giovana Damaceno disse...

É, Jader. Algumas pessoas para quem contei onde você estava trabalhando reagiram com espanto, surpresa, até pena de você, como se estivesse condenado à pena de morte.
Foi preciso explicar para estas pessoas o quão grandioso e desafiador seria seu trabalho no Borel, além de um puta aprendizado.
Pobres pessoas. A limitação é tanta que não conseguem compreender o mundo rico que você tem a explorar pela frente. E você já começa a enxergar isso. Que bom.

Anônimo disse...

Escreve mais, maluco! Sei que não é simples assim, mas... se vira!! Fico curioso pra saber dessa vida e de tudo que você observa por aí. Abração. Ricardo.

Thaís disse...

Jader adorei seu texto, como sempre. Escreve sempre por aqui suas experiências pra gente acompanhar. Tudo a ver esse trabalho com vc!
Bjos

Jader Moraes disse...

Pois é, Giovana. Algumas pessoas não entendem. Outras sequer fazem um esforço para tentar entender. Eu só espero que, mesmo sem entender, torçam por mim pelo simples fato de eu estar feliz. Muito feliz!

Vou escrever mais, Ricardo. É tanta coisa, que nem sei por onde começar. Mas acho que comecei bem - pelas mulheres, rsrs.

Thaís, valeu! Saudade de vocês!!!

Taynah disse...

Adoreeeei o texto, Jader!!! Tbm acho q vc deve escrever mais.. tô curiosa p saber dessa nova etapa da sua vida. Ah, te desejo todo o sucesso do mundo, vc merece! Boa sorte por aí... beeijos, Taynah.

Jane C. disse...

Gostei muito do texto. Sou menos,digamos assim,romântica,ao analisar situações como as que você certamente ouviu. Mas humanamente falando,é impossível não se comover.

Jader Moraes disse...

Valeu Jane! E é certo que a vida dessas mulheres deve ser pouco romântica. Mas não menos do que a vida de qualquer um de nós... e é isso que precisamos enxergar!