06/01/2011

Inspiração, cadê você?

Sem inspiração. É assim que me encontro. Para apurar, para escrever, para sentar na cadeira em frente ao meu computador. Não sai nada que seja digno de ocupar este espaço.

O ano novo começou e com ele muitas esperanças. Acho que esse será um ano especial. Daqueles inesquecíveis. E tenho bons motivos para apostar nisso.

A semana também está ótima, obrigado. Uma preocupação aqui, outra ali (e uma outra que vai e vem, vai e vem), mas está tudo correndo na maior normalidade. Tudo bem.

Mas tem algo que me inquieta. Aliás, que não me inquieta, que tem me dado um ar meio blasé nesses últimos dias. Sim, o desânimo bateu por aqui – e não dá sinais de que vai embora tão cedo.

E o desânimo traz consigo uma série de elementos terríveis. Incluindo aí, com muito pesar, a tal da falta de inspiração que falei no início deste texto (uma verdadeira praga para qualquer jornalista).

Mas vai passar... até uva passa, não é isso que diz a piada mais medíocre que consegui lembrar agora? Até mesmo – e subo consideravelmente de nível aqui – eu passarinho, não é Mario Quintana? Passará. Passarei.

E enquanto não passa (e enquanto não passo) vou buscando a inspiração que não vem simplesmente para dizer um oi por aqui. E desejar um ótimo ano para todos.

Um ano de paz, saúde, felicidade, dinheiro, realizações e... inspiração. Muita inspiração!

30/12/2010

As Melhores Coisas do (meu) Ano

Para encerrar o expediente no blog esse ano, dei uma de crítico. rs
Vi listas pra cá, li listas pra lá e resolvi fazer a minha própria lista. É opinião, apenas. Nada técnico ou profissional – até porque não tenho cacife pra isso. Coloquei aqui o que mais gostei de ver/ler/ouvir em 2010.
Elegi um “melhor” em cada categoria. E fica como dica. E aceito dicas também.

Enfim, bom 2011 para todos.
Será o melhor ano de nossas vidas!

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Filme: As melhores coisas do mundo



Ok, Tropa de Elite é uma mega produção e Harry Potter o filme que esperei por muitos meses. Adorei os dois. Tropa pela coragem, HP pela fidelidade. Foram destaques de um ótimo 2010. Mas o filme que mais me surpreendeu este ano foi esse aí em cima.
Sim, é um filmezinho adolescente. Mas é mais que um filmezinho adolescente.
Roteiro dinâmico e bem costurado, atuações seguras, discussões muito maduras. Foi uma bela surpresa. Fui pro cinema pensando em ver um bom filme. Saí com a sensação de ter visto um longa acima da média.
A direção é da ótima Laís Bodanzky, do também ótimo O Bicho de Sete Cabeças, e o filme foi muito bem recebido por público e crítica. Se você não viu, vale a pena, garanto! Mas vá sem a expectativa de ver um filmão. As melhores coisas do mundo é um filme despretensioso, mas muito bem feito. E é isso que o pôs nessa lista.

(Abaixo, algumas críticas bacanas do filme. Tem o trailler em uma delas)

http://www.cinemaemcena.com.br/Ficha_filme.aspx?id_filme=8960&aba=detalhe
http://www.omelete.com.br/cinema/critica-melhores-coisas-do-mundo/
http://www.fredburlenocinema.com/2010/04/critica-as-melhores-coisas-do-mundo.html
http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/158605/as-melhores-coisas-do-mundo/


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Livro: O Olho da Rua - Eliane Brum


O livro é de 2008, mas li apenas este ano. Descobri na Flip.
O Olho da Rua é um conjunto de reportagens publicado pela jornalista Eliane Brum nas páginas da revista Época, da editora Globo. Após cada reportagem, um comentário da Eliane. Por todas as qualidades que reúne, o livro poder ser considerado uma obra prima do jornalismo brasileiro.
São dez textos que mergulham em temáticas distintas, com um texto apurado e uma sensibilidade rara no jornalismo contemporâneo, tão sufocado por regras quadradas e padrões que nem sempre primam pela qualidade – em nome da tal da objetividade, às vezes abre-se mão de tanta coisa...
Recomendo a todos. Jornalistas ou não. É um livro raro. Uma obra emocionante. Não a toa, Eliane já ganhou mais de 40 prêmios na carreira.

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CD: Quando o Canto é Reza - Roberta Sá e Trio Madeira Brasil


Este ano descobri tanta coisa boa na música brasileira, ouvi tanta coisa diferente, mas foi fácil chegar a esse primor produzido por Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil – e Roque Ferreira, claro – como a melhor coisa que ouvi em 2010.
Arranjos perfeitos. Letras inspiradíssimas. Uma interpretação magnífica (a voz de Roberta está linda como nunca). Aliás, Roberta Sá já deixou de ser “promessa” faz tempo. Quem não conhece, corre pra ouvir essa garota.
Esse CD, o terceiro de sua carreira, canta a Bahia. Em todas as suas nuances, todos os seus personagens, mitos e deuses. É divino!

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Teatro: Cócegas

Esse foi um ano que fui a poucas peças. Pouquíssimas, para ser sincero. Uma pena, adoro teatro. Algumas montagens interessantes, o stand up do Marco Luque engraçadíssimo, mas esse foi o ano de meu encontro com Cócegas.
Já tinha assistido uma vez. E não tinha sido legal. Com meus parafusos, pensei: um dos maiores sucessos da história do teatro brasileiro, aclamado pela crítica, adorado pelo público, e foi tão ruim. Merecia uma segunda vez. E graças a Deus tive a oportunidade de ver de novo.
Heloísa Perissé e Ingrid Guimarães (especialmente) arrebentam. Show de entrosamento e um texto bastante crítico. Engraçado que não tinha notado o quão crítico era o texto da primeira vez que fui. Fiquei impressionado. Adorei cada ironia, cada deboche, cada alfinetada.

OBS.: Senti falta de peças diferentes esse ano em Volta Redonda. Foi um festival de stand up e comédias, apenas.

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Show: Maria Rita / Milton Nascimento

Se meu ano foi fraco no teatro, não posso dizer o mesmo sobre os shows. Graças, principalmente, ao Cultura para Todos assisti a uma dúzia de shows excelentes. Foi a “categoria” mais complicada de chegar a um nome. Afinal, vi Elza Soares, Monobloco, Ana Carolina, Maria Gadú, Arlindo Cruz (!), Ivete Sangalo, D2 – e tenho certeza que esqueci falar de algum (bom) show por aqui...
Foi tão difícil que não consegui chegar a um nome. Foram dois os que me encantaram. E vou dispensar muitas justificativas para minhas escolhas: Maria Rita (artista completa!) e Milton Nascimento (seria pecado ir a um show do Milton e não incluí-lo na lista de melhores).

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TV: Clandestinos, O Sonho Começou - TV Globo


A telinha nossa de cada dia ofereceu bastante coisa bacana este ano, principalmente no segundo semestre. Mas Clandestinos foi, de longe, o melhor. Para mim, ao menos.
O formato, os atores, as histórias (reais), a trilha sonora... tudo ótimo na série da Globo. O episódio do garoto com sua avó é o meu destaque. Mais que especial, emocionante!

22/12/2010

Osso duro de roer

A semana do natal talvez pedisse algo mais leve. Mas o Profissão Repórter da última terça-feira é NECESSÁRIO. Corajoso e um exercício autêntico de jornalismo.

Caco Barcellos é o autor de Rota 66, um livro (maravilhoso) que investiga a atuação da tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, principalmente durante a década de 70. O resultado é estarrecedor e revela um quadro muito preocupante.

No comando do programa, sabia que Caco não ia decepcionar. As reportagens ajudaram a desconstruir uma imagem que Tropa de Elite, proprositada ou despropositadamente, ajudou a consolidar. Caco e sua equipe foram além do que eu supunha ser possível no horário nobre da TV. Desnudaram o rei.

Não podia esperar outra coisa. Afinal, quem escreve um livro como Rota 66, tem uma história a zelar...





03/12/2010

Jornalismo de binóculos

O Alemão tem 400 mil moradores. 600 bandidos. Olhando todas as reportagens (antes da ocupação) parecia o contrário, não?

A população de universitários da Maré é muito superior à de bandidos. Mas as matérias de lá são quase que exclusivamente sobre violência.

Deve ser porque a bala cortando o céu é a única coisa que se vê a partir do asfalto. O barulho do tiro, a única coisa que se ouve.

E o jornalismo brasileiro ainda se faz do asfalto, ainda não experimentou atravessar a “fronteira”. Vê com binóculos – e aí a imagem tende a estar embaçada.

Mas o jornalismo de verdade precisa estar perto das pessoas. É nisso que eu acredito. É pra isso que estou me formando.

22/11/2010

O show é nosso. Ou: o show somos nós!

15 minutos de fama. Esse foi o prognóstico de Andy Wahrol sobre as gerações futuras, ainda na década de 60. A previsão foi prontamente atendida pela juventude deste início de século – só que as aspirações dessa nova geração, de blogueiros e twitteiros, está muito além da fama, simplesmente. Agora eles querem é ser alguém. Mais que mostrar seus talentos, querem mostrar o que pensam, como são.

Aliás, não sei porque uso “eles”. Somos nós! Estamos nos constituindo em uma outra via, alternativa, por onde hoje circulam as informações. Não queremos apenas ler notícias, conhecer as versões dos grandes veículos. Agora, podemos – e queremos – dar a nossa versão, ajudar na construção do conteúdo.

O exemplo máximo dessa nova forma de fazer comunicação é o blog (seja este aqui, em que posto agora, ou o microblog twitter e toda a revolução que ele trouxe). Mas não são apenas as páginas pessoais que estão transformando a comunicação – e o jornalismo, especificamente.

Sites como Overmundo, Observatório de Favelas e até mesmo (por que não?) o Eu, Repórter, do O Globo, demonstram bem essa nova realidade que estou falando. Ainda que com objetivos diferentes, sobretudo no caso do Eu, Repórter, a novidade de cada um desses sítios é a mesma: passamos de leitores passivos a sujeitos ativos na narrativa dos fatos, opiniões, versões.

Também é possível aqui fazer referência a canais como o YouTube ou o MySpace; as redes sociais, como o Facebook; ou ambientes virtuais como o Second Life. Em todos esses espaços, no fundo está o desejo humano de significar (sim, tentei falar como um intelecutal agora, rs).

No livro O Show do Eu, a pesquisadora brasileira Paula Sibilia discorre sobre essa mudança de paradigma na comunicação do século XXI. Vale a pena clicar no site do livro, que dá uma mostra bem bacana de tudo que estou discutindo aqui. Tem o primeiro capítulo da obra para baixar também.

Da pra ter um panorama geral dessa mudança. Mas, sinceramente, acho que nem precisamos de um guia para entender as transformações. Afinal, somos os protagonistas dessa nova era e estamos ligados, plugados, conectados com as novidades deste Admirável Mundo Novo...

08/11/2010

Quem lucra com a falência do Enem?

Cobremos para que erros não mais aconteçam, mas sejamos intransigentes na defesa do Exame

Não, o Enem não está falido. O título tem um pouco de exagero contido nele – e revela também um desejo de um setor econômico do país.

Sim, pois existe quem se beneficie com a perda de credibilidade do exame. Há o desejo (não) oculto do “quanto pior, melhor” em relação ao Enem de um importante segmento da sociedade. Não faço aqui colocações políticas. Não é PSDB, o DEM, o PT ou qualquer sigla partidária. O problema aqui é, sobretudo, da ordem econômica, e não política.

O Novo Enem, que foi aplicado pela segunda vez este ano, nasceu com um objetivo principal: mudar os currículos do ensino médio. Sei, ele é porta de entrada para as universidades, unifica os processos seletivos, amplia as oportunidades, entre outros belos “adjetivos”.

Só que não é apenas isso. Aliás, é muito mais que isso: o Enem, da forma com que está sendo proposto, é uma revolução na própria educação básica brasileira. As escolas, que montam seus currículos orientados para “o que cai no vestibular”, agora deverão dedicar maior atenção ao raciocínio, e não à decoreba; às aplicabilidades práticas das matérias de Ciências Exatas, no lugar da “simples” aplicação de fórmulas; à história da África e dos povos indígenas, e não apenas da Europa; pois, afinal, é isso que está caindo no novo vestibular.

Neste contexto, quem ganha é a educação básica, sobretudo o Ensino Médio, que sempre foi a fase mais tediosa do ciclo escolar. Ganham os estudantes, que não precisarão mais ser adestrados para tentar uma vaga na universidade. Ganham os professores, que poderão ser mais propositivos, valorizar o raciocínio e fugir de formulas prontas, rígidas e inúteis.

E quem perde, então? Quem lucra com o adestramento dos jovens estudantes para enfrentar esse troço chamado vestibular. Porque, para eles, é importante que o ensino básico não sirva para nada na hora do ingresso na universidade, é importante que essa massa de estudantes tenha que frequentar um cursinho, mesmo depois de doze anos de estudo, para aprender a decorar fórmulas e a se livrar das famosas pegadinhas das provas. É importante que essa indústria dos PRÉ-VESTIBULARES continue a funcionar.

O Novo Enem, como vem sendo aplicado e com os objetivos que aspira, simplesmente desmonta essa indústria. Ainda que continuem a existir, os cursinhos perdem força neste contexto. Vale mais o que você desenvolveu na vida estudantil do que as fórmulas que vão enfiar na sua cabeça durante aquele um ano de preparatório (e que você já vai ter esquecido no ano seguinte).

Então, é importante cobrarmos para que erros do Enem sejam minimizados e os estudantes devem, sim, reclamar seus direitos, pois os responsáveis devem explicações à sociedade. Mas precisamos ser firmes na defesa do exame. Cobrar para que erros não aconteçam, mas defender até o fim essa revolução que se propõe.

E, sobretudo, precisamos estar mais atentos para isso: a quem interessa que o Enem fracasse? Quais interesses estão sendo contrariados com essa nova forma de acesso à universidade? O meu, o seu e o das universidades, não – tanto que aderiram em peso.

Tem gente grande, tem uma indústria imensa, incomodada com o Novo Enem. E não, essa não é uma teoria da conspiração.


Aconselho este trecho de um programa da CBN desta segunda-feira. Bem interessante e, em linhas gerais, discute isso que coloquei no texto: http://migre.me/24Sui
Aqui, uma entrevista do Haddad (ministro da Educação) ao O Globo em que bate forte no conceito de "Pré-Vestibular" http://migre.me/24Xk3 e http://migre.me/24Xte
Por fim, esse post do jornalista Paulo Henrique Amorim. Ótimo também: http://migre.me/24XOw

31/10/2010

As Pérolas

Vou ser simples, direto: listo aqui, nas próximas linhas, as dez principais pérolas que coletei nestes últimos três meses de intensa campanha eleitoral no Sul Fluminense.

Sei que se no Brasil inteiro são inúmeras as pérolas. A própria campanha eleitoral nos forneceria uma quantidade imensa de momentos. Mas levantei especificamente as pérolas aqui da região – os candidatos de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Angra dos Reis, Porto Real, Piraí... também cometeram algumas gafes ao longo do percurso. E, como brasileiro tem a humor injetado na veia, acho que nunca é demais tirar um sarro. Com todo o respeito, viu? Até porque... tem pérola minha também. Das grandes. Acontece nas melhores famílias, com as melhores pessoas. Em geral, não são evitáveis.

Procurei apenas preservar o nome dos políticos (quando possível) e esperei o período eleitoral terminar. Precaução e caldo de galinha nunca é demais...

Enfim, se divirtam!

10.

No fim de uma passeata, os mini-comícios improvisados, em geral em cima de um carro, um banco de praça ou qualquer outra coisa que se ofereça para subir, servem para animar a militância, dar o recado final, chamar a atenção de quem passa na rua.

A décima pérola vem de um desses momentos. Uma candidata de Volta Redonda faz um breve discurso, microfone em punho, e se despede da militância com um pedido bem afinado. Exceto por um detalhe:

"E eu lhe peço: no dia 5 de outubro, vote em mim"

Espera aí, 5 de outubro? O que aconteceu no dia 5 de outubro? Eleição para síndico de prédio? Porque a eleição foi no dia 3.


9.

As matérias dos jornais são pautadas, em grande medida, pela agilidade e presteza das assessorias de imprensa dos candidatos. Só que algum assessor cochilou e enviou uma promessa bem esquisita do seu candidato:

“Se eleito, vai lutar contra a falta de desemprego”

Hein?


8.

De uns tempos pra cá, as propagandas políticas tentam ser cada vez mais pessoais, aproximando o eleitor do candidato. Algumas apostam até numa linguagem bem mais coloquial, com gírias, inclusive. Outras, juntam tudo isso e também apelam para o humor. Querem ser engraçadinhas. Mas acho que teve um candidato de Barra Mansa que exagerou:

“Namora e é casado com Fulana a mais de 14.000 dias, tem três filhas e quase três netos”

Alguém me explica como alguém tem quase três netos? E alguém explica pra ele que a frase ficou bem sem-graça, por favor?


7.

Esse foi um diálogo traçado entre jornalista e candidato. O candidato expõe seu principal plano para quando chegar ao poder. Vejam só:

- Falta emprego para a juventude, vou lutar para trazer emprego.
- Como vai fazer?
- Não sei, chegando lá a gente vê.

Não gente, não é o Tiririca...


6.

Existem coisas que nem todo mundo é obrigado a saber. Mas um candidato sim. Por exemplo, os deputados ESTADUAIS trabalham na ALERJ (Assembléia Legislativa do Rio), que como o nome sugere, fica no RIO DE JANEIRO. Acredita que tinha um candidato a deputado ESTADUAL por Volta Redonda que não sabia disso? Olha o texto de seu flyer:

“Se você deseja mudança, peço que acredite neste projeto de representá-lo na Câmara dos Deputados

Mudança completa, né. Vai mudar até o lugar onde o deputado trabalha...
(A Câmara dos Deputados fica em Brasília, só para lembrar)


5.

Festa! Comemoração! Militância reunida para celebrar a vitória do candidato. No salão o que mais se houve são brados de “Glória a Deus! Glória a Deus! A vitória é sua, Senhor! Glória a Deus!”. De repente, um telefone toca. A mulher atende. A pessoa do outro lado da linha conta que um dos principais adversários políticos do candidato não se elegeu. A mulher, eufórica, larga o telefone e grita, para aumentar a festa no salão:

“Glória a Deus dobrado! O Fulano ficou fora! Glória a Deus dobrado”

Glória dobrado é modalidade nova de louvor? E, já que perguntar não ofende, ela riscou o item ‘não desejar mal a seu irmão’ da sua bíblia?


4.

Sindicalistas se unem por Dilma Roussef. Reunião, em Volta Redonda, traz várias lideranças regionais. Cada uma faz seu discurso, sempre bem inflamado. Lá pelas tantas, um sindicalista está discursando. E, claro, quer terminar bem, com frase de impacto. Então dispara:

“Se ganharmos, venceremos!”

Oi?


3.

Dessa vez, não tem como esconder o político que falou. É parte da graça da piada. Certamente é a frase feita mais... mais incrível que já vi! rs

Resumindo a história, Garotinho ainda era candidato ao Governo do Estado. Reclamava das poucas verbas de sua campanha, disse que ia lutar contra uma campanha muito rica, gigante (a de Cabral). E soltou mais uma de suas metáforas bíblicas. Mas dessa vez foi imbatível:

“Essa é a disputa de Davi contra Golias. E vejam que coisa: Davi era um garotinho”

Sem comentários...


2.

Agora, a pérola deste jornalista que vos escreve. Nem vou tentar me justificar, vou direto ao fato.

Para vocês entenderem: um candidato enfrentou problemas com a Justiça. Foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral. No dia seguinte à decisão, fizemos uma matéria no estilo “mesmo com a condenação, campanha segue em ritmo normal”.

Acompanharam? Problemas com a Justiça, campanha e minha pérola:

“O candidato disse que a campanha continua e que, inclusive, lidera todas as pesquisas em Angra dos RÉUS”

Não foi proposital. A piada é boa demais para ter sido pensada pela minha cabeça. O fato é que o U está perto do I e o Word tem esse maldito corretor ortográfico que se encarregou do acento. Enfim, foi publicado assim. rs


1.

Ok, falei que só ia entrar pérolas locais. Mas a bolinha de papel é imbatível. Ultrapassa fronteiras. Está na história.

Ao candidato derrotado, o primeiro lugar ao menos na minha lista de pérolas!



20/10/2010

Vida Bandida

"Se eu pudesse eu não seria um problema social..."



Não são excessão, são regra. Frutos de uma sociedade que amou mais ao dinheiro que a eles, já cresceram condenados a virarem marginais.

Estão nas ruas, nas vielas, nas casas. À procura daquilo que o mundo lhes negou: a camisa da Nike, o chinelo Havaianas, o danoninho na geladeira, o carro, o reconhecimento, as mulheres, o respeito de seus pares, a glória, o poder. Afinal, isso não é tudo que se preza hoje? Esta não poderia ser a descrição do conceito de felicidade de um empresário, médico, advogado, jornalista?

O príncipe e o sapo não são outra coisa que não as duas faces de uma mesma moeda, não é isso? Vã a ilusão de que existem seres humanos completamente maus ou bons por natureza. Certas coisas não vêm no código genético.

Nem mocinhos, nem vilões. Homens e mulheres que não tiveram qualquer oportunidade. Não que isso fosse garantia de uma vida menos bandida, mas... quem sabe, afinal?

08/10/2010

O Estádio

Uma vez vi Glória Kalil falando sobre “Etiqueta no Estádio de Futebol”. Achei impróprio. O estádio não tem etiquetas, não tem padrões, não pode ser enquadrado em nenhum livro de regras. Ele é nosso, a-ha, u-hu!

O estádio de futebol talvez seja o único lugar onde ninguém (NINGUÉM) ache estranho abraçar um... estranho. Pelo contrário, ilustres desconhecidos viram quase que amigos íntimos durante 90 minutos: compartilham alegrias, angústias, discutem ideias, discordam, concordam. Se abraçam e algumas vezes, pode acreditar, choram juntos, como duas crianças. Como dois... amigos.

O estádio talvez seja também o único lugar onde xingar não é pecado. É regojizo! Quando a cólera transborda, o palavrão dá conta de acalmar. Se a alegria é explosiva, o palavrão é que melhor expressa o sentimento. O drible genial, o erro grosseiro (do jogador ou do juiz), o gol nos acréscimos... tudo cabe num Puta Que o Pariu – por mais grosseira que a expressão possa parecer transcrita aqui. Lá não é.

No estádio, o lamento é coletivo. E a catarse também. Ele lava a alma, alimenta, dá forças. Sim, tem um quê de sobrenatural.

Na massa, você desaparece. É apenas mais um em dez mil. Gritando, cantando, pulando. No estádio, todos viram apenas um.

E é por isso que eu amo. E é por isso que eu recomendo. É por isso que eu vou. E é por isso, enfim, que eu volto. Na vitória ou na derrota, na saúde ou na doença, por todos os domingos de minha vida...

25/09/2010

Às favas com a Imparcialidade (e a questão da Igreja)

De vez em quando, deixo a máscara da imparcialidade cair. Aliás, luto constantemente contra esse falso ideal. Afinal, não sou robô. Sou jornalista, apenas. E como tal, tenho direito de ter opinião sim.

Mas quero deixar de lado até a sobriedade que deveria acompanhar a opinião de um jornalista (é assim que os Manuais ensinam, ao menos). O que está acontecendo na imprensa brasileira é muito triste e não poderia ser expresso com menos indignação e verdade* do que vou tentar expressar nas próximas linhas.

A vitória de Lula, em 2002, sem dúvida é um dos principais fatos da história recente do país. Simbolicamente, não sei se já houve (ou se ainda haverá) um momento tão forte para a nossa democracia. Mas uma eventual vitória da Dilma representará um passo além – se não historicamente, ao menos em nosso contexto atual.

Sei que sou jovem, mas vivi e li o suficiente para poder questionar: não sei se em algum outro momento forças tão poderosas se moveram de forma tão explícita contra uma candidatura. Não sei se já houve, em algum outro momento, uma tentativa tão descarada de desconstrução de uma figura pública como acontece agora. Há pelo menos um ano, antes portanto da pré-campanha até, as manchetes dos jornais evidenciam o que digo. Um ano de infinitas tentativas de minar uma pessoa, um projeto.

Dilma eleita em 03 de outubro, então, tem muito mais que um valor simbólico. Tem um significado prático: me arrisco a dizer que mais que Lula em 2002, mais que Lula em 2006, a vitória de Dilma em 2010 é, de fato, a vitória do povo contra as elites, da democracia contra uma oligarquia política e midiática que tanto nos sufocou nas últimas décadas.

Já sabia que uma mulher, de esquerda, indicada por uma liderança operária, não seria eleita impunemente. É muito simbolismo, muita quebra de paradigmas, muito revolucionário para a elite mais reacionária deste país engolir. Mas, sinceramente, não esperava que fossem descer tão baixo.

Como estudante de jornalismo, repórter de política, fico muito triste. Mas como brasileiro, me alegro de perceber que o povo, tão humilhado e subjugado ao longo da nossa história, responde à altura e já pensa com sua própria cabeça. Vê com seus próprios olhos e grita para os barões: “Otários! Será que não veem que tamanho esforço é inútil? Agora sou eu que faço as minhas escolhas! Dispenso a ajuda de vocês, ninguém mais pensa por mim...”.

É isso: acho que essa eleição tem um significado a mais. Em 2002 foi iniciado um processo de transformação do povo brasileiro, e este processo se consolida agora. O voto que os milhões de brasileiros darão daqui a quinze dias não será apenas mais um voto. Será um passo firme em direção à liberdade...

A Igreja

Vou abrir aqui um espaço para lamentar uma outra atuação nesta reta final de campanha. Assim como critico alguns movimentos feministas por tratarem o aborto como um monotema, alguns movimentos da Igreja também têm me irritado profundamente ultimamente.

Reduzir o debate eleitoral à questão do aborto é, no mínimo, ignorância – quando não má-fé. Acho que é um dos temas da pauta de debates sim, todos conhecem minha posição muito transparente com relação ao assunto**, mas não dá para considerar este como único ponto relevante de um programa de governo.

Estes dias recebi um folheto amarelo, assinado por alguns bispos e por uma comissão eclesial, que, depois de fazer uma série de ataques ao PT, dizia: “não vote em partidos e candidatos que apoiem o aborto”. Não acreditei.

Então é só isso mesmo que importa? Dane-se se uma educação sucateada! Dane-se que jovens sejam exterminados! Dane-se se querem vender o país! Dane-se se a economia é colocada acima da vida! Dane-se tudo, menos o aborto! É isso mesmo?!

Não creio que a mensagem de Cristo se resumia a isso. Acho que, pela consciência cristã, outros aspectos também merecem relevância: cuidado com os pobres, respeito aos direitos humanos, vida digna à população (e aí inclui saúde ampla, educação de qualidade, reforma agrária...), ética do candidato, entre outros. Mas isso parece não importar. O que importa é o que X acha sobre o aborto. Se é favorável à descriminalização, fogueira nele!

Só para exemplificar a questão, de uma forma um pouco mais palpável: Bush sempre foi contrário ao aborto (e outros temas polêmicos que frequentemente dividem governo e igreja); já Obama é favorável à descriminalização e está fazendo isto nos EUA. Por essa lógica, as mesmas comissões que pedem voto contra o PT, também pediriam voto para Bush – ou Jonh McCain, na época.

Bush matou milhares de pessoas no Iraque? Sim. Matou outras milhares no Afeganistão? Sim. Negou-se a assinar acordos ambientais? Sim. Colaborou para o colapso financeiro que destruiu milhões de empregos em todo o mundo? Sim, claro. Mas, e sempre tem um mas, era contrário ao aborto. Se esse for o único parâmetro, votemos em Bush, fieis. (e, desculpem, a comparação não é absurda. É muito real e próxima do que acontece aqui! É só observarem com atenção).

Enfim, fiquei bastante triste. Além da redução do debate eleitoral, o panfleto amarelo é parcial e omite informações importantes em relação ao tema que deseja tratar – o aborto. Esquece de dizer que o PV também é favorável à descriminalização da prática. Que foi no governo do PSDB que foram criadas duas das três normas técnicas existentes que facilitam o aborto***. Que o PSOL diz que a igreja age com hipocrisia ao tratar do tema. Ou seja, todos têm teto de vidro ao falar do assunto. Por que o ataque tão sistemático a um partido, apenas?

Apesar de triste, a questão não me surpreendeu. O manifesto saiu de uma corrente (ou um movimento) da Igreja que tem como uma das suas figuras mais reverenciadas um professor que chama a ditadura militar de “Revolução de 64”. Em contraste com a atuação sempre tão firme da CNBB em defesa dos pobres e dos excluídos, repudia movimentos sociais e a ameaça que eles representam ao seu conforto patrimonial. O mesmo professor que, em carta xenofóbica ao D. Pedro Casaldáliga, afirmou que o Espírito Santo estava retirando do palco “um a um dos que erraram no caminho” – em referência aos bispos que combateram bravamente o regime ditatorial e acolheram, em nome da igreja, aqueles que sofriam.

O que me conforta é que para cada um Felipe Aquino existem dez Paulo Evaristo Arns, dez Freis Beto, dez Waldir Calheiros... Assim seja!


* Minha verdade, que fique claro!
** Sou contra, aboslutamente contra. Em todas as situações – até nas já garantidas por lei.
*** As normas técnicas editadas pelo Ministério da Saúde de FHC são “Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes” e “Gestação de Alto Risco: Manual Técnico”, ambas regulamentando o aborto nos casos de estupro e gravidez de risco. Em 2004, o governo Lula lançou a “Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento”, que proíbe o hospital de comunicar à polícia o aborto, quando for algum dos dois casos previstos por lei.