sábado, 21 de novembro de 2009

Verde, amarelo e preto!

(para compreender este post, leia o anterior. Vai lá embaixo antes. É o texto chamado "Kizomba!")

Discurso do Lula, no Dia da Consciência Negra.

Sei que muitas coisas já estamos cansados de ouvir. Mas faz toda a diferença elas serem ditas por um Presidente da República, Chefe da Nação... é o Estado brasileiro se pronunciando sobre o tema. Repito: faz TODA A DIFERENÇA!

(...)
A gente não vai vencer o preconceito lamentando o preconceito. A gente vai vencê-lo enfrentando o preconceito, enfrentando, discutindo, debatendo, no local de trabalho, no sindicato, no partido, na igreja, no clube. Onde a gente estiver, nós temos que dizer: um homem e uma mulher não podem ser medidos pela sua cor, tem que ser medidos pelo seu caráter, tem que ser medidos porque são seres humanos iguais a todos.

(...)

Dizem que não têm preconceito. Coloque, às 10 horas da noite, em duas calçadas na mesma rua um negro e um branco, e coloque uma pessoa para encontrar com eles para ver qual é a calçada que a pessoa vai. Ela vai mudar para a calçada do branco, porque já está incutido na consciência dela que o negro pode ser um bandido e isso não é culpa do negro, isso é culpa do preconceito estabelecido neste país.

(...)

Quando a gente vê um menino de 18 anos, de 15, de 17, na televisão, sendo preso, às vezes, cometeu um crime bárbaro, a gente fica com raiva. Mas a gente se esquece quem é que deixou de cuidar daquele menino quando ele tinha 2 anos de idade, 3 anos, 4 anos, 7 anos ou 8 anos. A juventude brasileira não quer cadeia, a juventude brasileira não quer ser presa, a juventude brasileira quer oportunidade de estudar, de trabalhar e de conquistar a sua cidadania.

Kizomba!

Voltei, meu povo... demorei, mas voltei! rs

Confesso que o twitter tem consumido meu tempo ocioso (o resto, a faculdade e do Diário tomam conta), mas prometo que serei mais frequente por aqui.
Estava conversando no último fim de semana com o Grande Gabriel Araújo (http://ovencedornews.blogspot.com) e resolvi voltar, urgentemente, a escrever por aqui. O twitter (que eu adoro!) é um lugar do impulso. Aqui não, consigo articular melhor as minhas ideias, dialogar mais racionalmente... Preciso deste espaço!


E vou reinaugurá-lo (uso um tom solene propositalmente, hahaha) escrevendo sobre algo que adoro: sobre esse Brasil, verde, amarelo e preto! A negritude desse meu país e a hipocrisia dos que afirmam que "o racismo não mais existe".


É engraçado perceber que os que afirmam isso, de maneira geral, não são negros. Ou seja, o que sabem de racismo? O que entendem de preconceito, de desigualdade racial? Será que já viram alguém esconder a bolsa quando você entra no ônibus? Será que já foram preteridos alguma vez?


Ontem, 20 de novembro, foi uma data muito importante. Uma data que representa muito para esse país. Um dia que ainda resiste, graças à lutas das comunidades negras contra o racismo embutido em nossa sociedade. Não sou radical, nem extremista. Apenas consciente de que ainda temos muitos passos para avançar, e isso passa NECESSARIAMENTE por implementar políticas e ações afirmativas que acelerem o processo de inclusão.


Sim meus amigos, estou falando de cotas e tudo mais... um assunto longo e complexo, que não vou explicitar aqui (o post ficaria ainda maior, rs). Mas, só para a reflexão: se não existe diferença, por que numa sala com 60 alunos só existem 2 negros*? Em uma outra, com setenta, apenas UM aluno é negro*. Por que? Além do mais, 4/5 da história deste país foram vividos sob o regime de escravidão. Será possível mesmo que conquistemos de fato a igualdade sem adotarmos algumas medidas que acelerem a inclusão? Pequenas "injustiças" para reparar uma injustiça ainda maior?
(* dados reias. Não vou dizer os cursos, mas um é na Rural e outro na UFF, aqui em VR. Fiquei estarrecido quando constatei!)


Bem, vou terminar por aqui. Voltei, e voltei com muita vontade de escrever! haha.
Abaixo e ao longo deste texto, algumas fotos do Quilombo São José da Serra, em Valença, que foi regularizado ontem pelo presidente Lula. Também vou postar, logo em seguida, alguns trechos do discurso do Lula na cerimônia de regularização. Vale a pena!



As fotos são do sensacional Fernando Souza
(não o conheço. Mas pelos registros, o mínimo que poderia dizer dele é isso: sensacional!)

domingo, 27 de setembro de 2009

A corrida de Obama

“Rosa Parks* sentou-se para que Luther King pudesse andar; Luther King andou para que Obama pudesse correr; Obama correu para que nós possamos voar...”
Jay-Z


*Pra quem não conhece: Parks ficou famosa e ganhou o título de "mãe do movimento pelos direitos civis" ao se negar a ceder seu lugar para um passageiro branco em um ônibus nos Estados Unidos, na década de 50. Na época, a lei obrigava que os negros se levantassem para os brancos sentarem. Ela foi presa e daí começaram os protestos pela igualdade nos EUA, sob a liderança de Luther King, ainda desconhecido na época.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Para a história...


É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.
Lula

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Barbárie!

Lamentável o que aconteceu essa semana em Volta Redonda. Um crime que chocou em três instâncias: o jovem que matou a criança de três anos por motivo banal; a população que linchou o garoto até a morte, com requintes de cureldade; e o povo que, coberto com uma capa de insensibilidade, aplaudiu a ação dos "populares".
A impressão é que voltamos à idade média. Por pior que fosse o garoto e o crime que ele cometeu, a forma como essa história terminou foi a pior possível, uma verdedeira selvageria, uma ato irracional: trezentas pessoas (300!!), munidas de paus, barras de ferro e faças, licharam, torturaram e mataram o rapaz, no meio da rua!
Que barbárie, meu Deus! Estou realmente assustado. Me sentindo de volta à idade média. Ou pior, aos tempos do "olho por olho, dente por dente". Terrível!

Só pra completar a notícia: Felipe (o garoto) foi EMPALADO! Sabem o que é empalamento? Não? Preparem-se...

Empalamento ou empalação é uma método de tortura e execução utilizada antigamente que consistia na inserção de uma estaca no ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado.
[Wikipedia]


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Até a 'governabilidade' tem limite, né?!

Sarney é o 'dono' do PMDB. O PMDB é o principal partido da base do governo e possui a maior bancada do Congresso. Logo, Lula precisa do PMDB para governar e até mesmo para uma boa campanha eleitoral no próximo ano, uma vez que o partido também é o que possui o maior número de cidades em seu comando.
Ou seja, Lula torna-se refém de Sarney para conseguir governar.

Eis a governabilidade: alianças duvidosas e posicionamentos contraditórios para conseguir implementar os projetos de governo necessários para que o país avance.
Desse modo, é compreensível (ainda que terrível, do ponto de vista ético) a insistente defesa do governo federal ao senador José Sarney, e até mesmo Collor no mesmo palanque de Lula.
Eu sei, é terrível, uma vergonha, decepção. Mas é justificável sob o ponto de vista político - um jogo onde às vezes se abre mão de certas posições (ideais até!), para alcançar um resultado positivo lá na frente.
Por exemplo: o apoio à Sarney garante a aprovação de leis fundamentais para o país e para todo o povo. Caso contrário, o governo de 'esquerda' acaba sendo engolido por um parlamento de 'direita' e a 'mudança' não acontece.
Ok, tudo bem. Entendido. Explicado. Justificado. Os fins justificam os meios, resumindo.

Mas até a 'governabilidade' tem limite né?!

Ontem, sem dúvida, foi um dos momentos mais tristes que já vi o PT passar. A saída de Marina, pela manhã, somada ao episódio lacônico da absolvição a Sarney e Virgílio*, foram um duro golpe, difícil de ser engolido.
Sempre falei que o PT ia pagar muito caro por essa aliança com o PMDB. Está pagando!
Quantos mais vão sair do partido? Primeiro foram os 'aloprados' que fundaram o PSOL, depois Cristovam, agora Marina. Isso sem falar de tantos militantes anônimos que já se foram por uma infinidade de motivos...
Não quero chegar a nenhuma conclusão com este post, nem mesmo esse deve significar uma carta de desaprovação ao governo (continuo achando que o governo atual é ótimo, com avanços importantes em todas as áreas sociais, políticas e econômicas!)... quero apenas expressar o que penso dessa confusão toda que Brasília está envolta.

E lamentar, profundamente, a saída de Marina Silva do partido. Ouvi essa mulher numa palestra, em Belém, e acho que é um quadro muito importante e irrecuperável que se foi. Quantos anos o PT vai demorar para construir um quadro como Marina Silva? Seringueira, filha de retirantes nordestinos, amazônica, ambientalista, socialista, uma Silva...
É triste e acho perigoso que o PT continue nessa política suicida de apoios escusos, mesmo que seja em nome da governabilidade ou de uma possível sucessão.

Nunca antes na história deste país uma candidatura saiu tão cara...

* Engraçado como os meios de comunicação não deram destaque ao fato do tucano Arthur Virgílio também ter sido livrado das acusações que pesavam sobre ele. Alguns apenas citaram, timidamente, o fato.
Foi vergonhoso também. Um acordo ESCÂNDALOSO entre a base aliada e a oposição para livrar a cara dos dois. Triste. Realmente triste!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Utopia

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano

Eu tenho um milhão de sonhos. Sonhos mesmos, daqueles quase impossíveis de se realizarem.
Sonhos coletivos, individuais, egoístas. Alguns impublicáveis, confesso...
Milhares deles não dependem de mim e por mais que eu me esforce sei que a possibilidade de se realizarem é minúscula.
Mas continuo sonhando... Continuo vivendo minha velha utopia do liberté.
Não, não me perco em pequenas ilusões. Me perco é nas grandes mesmo. Sonho alto, muito alto.
Cabeça no alto, mas pés no chão, né? Mentira! Os pés saem do chão de vez em quando.

Porque sonhar não custa nada, meu povo. E é ótimo viver a perfeição, ainda que apenas na mais delirante utopia.