10/10/2012

A carta

Atravessa o salão lotado e entrega nas suas mãos. Pede desculpas por eventuais erros de português. Aí você abre a carta:

(...) eu peço a ajuda de vocês para que essas diferenças acabem e que nossos jovens e adolescentes possam sair de casa sem medo de serem agredidos ou extorquidos.



E então você se vê diante do muro da impotência; da dor alheia que também é sua; da farsa que se alimenta da ignorância. Se vê diante de sonhos despedaçados, esperanças que escoam pelos dedos das mãos.

Ah, Deus, afasta do teu povo este cálice de vinho tinto de sangue!

Um comentário:

Gabriel Araujo disse...

Impotência que é alimentada pelo conhecimento de que este sistema, por suas características e forças 'próprias', perpetua a situação expressa pelo seu (ou pela sua) remetente. Por essas e outras que, de vez em quando, teimo em cismar que só mudanças radicais poderiam transformar tudo isso.