11/04/2012

O Fantástico Mundo de Jader no Purgatório da Beleza e do Caos - Ano I

Coisa mais linda, cheia de graça...
Foto belíssima do amigo Weder Ferreira

Há exato um ano, saí de casa rumo ao que muitos chamavam de "ilusão". Aquela cidade cheia de encantos mil seria inverossímil fora das lentes ficcionais de Manoel Carlos. Outros, e essa ala também era grande, acreditavam que eu estava cometendo uma loucura. Trocar a cidade pequena, os amigos tão próximos, o aconchego da família, pela metrópole conturbada que viam nos jornais não podia ser uma decisão sábia.

Não tiro a razão de um grupo nem de outro.

Encontrei a ilusão. Nas esquinas do Morro, nas ruas da Lapa, na Quinta lotada para gritar a Consciência Negra, na Casa Verde em que estou internado desde que cheguei aqui, nos bares, nos lares, estádios, nas amizades que fiz.

Encontrei também a realidade, nua e crua, bem ao gosto do freguês: os racistas escondidos na sacristia, os mesmos de sempre fazendo os mesmos de sempre com os mesmos de sempre, a política em sua pior forma, o garoto que revirava o lixo à procura de comida, o garoto maltrapilho que me levou vinte reais na saída da rodoviária, o esgoto, o descaso, a mentira.

[pobreza de espírito essa nossa mania de achar que a felicidade é ilusória enquanto a crueza da vida, somente ela, pertence ao mundo real]

Eu e os melhores momentos, ao lado das melhores pessoas

A vida deu um giro e a impressão é que vivi mil anos em 365 dias. Envelheci. Rejuvenesci. ♪ Mudaram os horários, hábitos, lugares, inclusive as pessoas ao redor / São outros rostos outras vozes, interagindo e modificando você 

Mas acho que as experiências, os fatos, as emoções deste último ano já estão devidamente registradas neste blog (pode ler aqui, ou aqui, ou então aqui, ou mesmo aqui, se quiser aqui, aqui uma vez mais, e em muitos outros). Neste post quero sobretudo agradecer publicamente:

- aos que, concordando ou não, respeitaram minha decisão e compreenderam o quão importante para mim era vir para cá (mãe, pai, Vini, Bia);

- àqueles que me fizeram sentir em casa aqui (Anderson, Anelise, Clarissa, Isis, Mari, André, Bruno, Lu, Tete, Vivian, Ricardo, Jo, Livia, Tati, Aline, Victor e, claro, Borel);

- aos que me ajudaram de alguma forma neste processo (Gabriel, Léo, Pingo, Sheila, Lucas, Ana, Mads, Dona Helena);

- e à todos, enfim, que me fazem sentir saudade imensa de Volta Redonda (Giovana, Ricardo, Fernanda, Tássila, família, JC, Jo, garoto que roubou o coelho na Praça Brasil - porque, na moral, tem coisas que só acontecem em VR! rs).

Obrigado a todos - e especialmente aos que esqueci de listar, mas de antemão já me perdoaram!

E aos que tinham medo, aos que tinham dúvidas, quero tranquilizá-los. A cidade que sempre sonhei, sempre amei e sempre desejei viver é ainda melhor do que eu poderia imaginar. 

Por que escolhi esta foto para encerrar? Não sei. É na Providência,
só para constar. E foi espontânea. Gosto dela.

7 comentários:

Anônimo disse...

Medo? Acho que todos sentimos medo quando aqueles que amamos vão rumo ao desconhecido que pode ser tão cruel. Mas eu acho que eu sempre soube que você não era daqui. Talvez não seja só daí também. É de um pouco de todos os lugares. Mas viver como você sempre sonhou, viver e mudar como você sempre quis mudar (não a si mesmo apenas, mas tudo ao alcance das suas mãos e das suas ideias) aqui não ia ser possível. Quando eu penso em você, rezo por você, eu já vejo um carioca, daqueles que conheci na mesma Lapa que você vive hoje, na faculdade, na praia, na assustadora (pra mim, provinciana) rodoviária. Eu sei de muito pouco do que você viveu, mas eu sempre soube que o seu sucesso aí seria proporcional a essa sua força. Como ela não tem limites, acredito que o sucesso também não vá ter. Parabéns pela vitória, de depois de um ano ainda amar o Rio de Janeiro, e feliz aniversário rs.


Lígia

Lusiana disse...

Puxa amigo...me emocionas...um ano de encontros intensos...a gaúcha aqui também se encantou com tudo e com todos...medo?! Como diria minha mãe.."minha filha...sem medo, que graça teria?" Um bjo enorme amigo do peito. Com carinho. Lu.

Giovana Damaceno disse...

Continuo na torcida diária para que seja daí para a frente e para cima. Volta Redonda torna-se refúgio seguro a partir de agora, onde estão os colos que não podem ser substituídos pelos dos cariocas.
E nada de ilusão. Seu talento é real, sua capacidade é real, seu futuro profissional é real, as chances de você ser reconhecido no Rio de Janeiro são reais.
Aqui em VR você sabe onde iria enterrar o que é e o que sabe...
Beijão!

Luciano Neto disse...

Amo o meu Rio de Janeiro! Abraços amigo Jader.

Anônimo disse...

Quanta emoção!Parabéns...Deus te abençoe!!

Gabriel Araujo disse...

e às vezes pior também do que poderia imaginar, né? É o Rio cheio de contradições e encantos que tanto amamos!

Jader Moraes disse...

Mas talvez por isso, Gabriel. É melhor porque às vezes é pior, é uma grande contradição, um eterno paraíso em construção (destruição, reconstrução...). Talvez amemos porque seja exatamente como nós. É um caso de identificação.