Sexta-feira, 03 de fevereiro
23h10
Faltam apenas 12 horas. E
enquanto cuido dos últimos e mínimos detalhes (a mala, a máquina, o livro), me
recordo que nunca escrevi sobre Ela aqui, neste blog, para vocês. Evidentemente
já falei da Bia em alguns posts. Mas um sobre Ela, só sobre Ela, só para Ela,
nunca.
Por onde começar? Já falei sobre
o amor aqui. Sobre o poder do amor e de como ele é central em minha vida. Seria
bom então começar esse texto dizendo que hoje o amor para mim tem um nome. Chama-se
Ana Biatriz Barbosa de Souza Paixão. Bia, para os íntimos. Amor, para mim.
Sim, Biatriz com “i” como só Ela
é. Linda como só Ela é. Teimosa como só Ela. O amor da minha vida... só Ela.
Foram tantos os momentos, é tanto o que sinto, que este texto nem deveria ter
começado, porque certamente ele vai ficar muito aquém dEla.
Mas topei o desafio. Imposto por
mim mesmo, logo esclareço. Porque não foi Ela que pediu. Ela sequer lê esse
blog. Amanhã no hotel – ou domingo, já no Chile – terei que contar a Ela que
tem um texto sobre Ela no meu blog. E aí Ela provavelmente vai dizer que lê
depois. E vai demorar alguns dias para ler. Talvez leia. Só talvez.
Sabe amor à primeira vista?
Então, não foi assim com a gente. Sabe aquelas loucuras de amor, tipo viajar
horas a fio só para vê-la antes de embarcar para uma longa viagem? Também não
teve. E noites tórridas de paixão? Tampouco. Nada disso teve.
Teve o que então, Jader? O que
sustentou por (quase) seis anos, ora? Por que acha que vai sustentar pelos
próximos 70?
Teve conquista. Teve carinho. Teve
risos. Abraços. Saudades. Encontros. Teve aquela vez que perdemos o último
ônibus em Itatiaia e tivemos que pedir carona à Nova Dutra. Amasso. Carícia.
Desejo. Uma viagem de 10 horas e um dia inteiro à base de Passatempo. Teve briga.
Teve choro. Reconciliações. E as noites acampados, as fogueiras que vararam a
madrugada. Teve Santíssimo. Altar. Toca. Dúvidas. Silêncios. Respostas. E o
primeiro beijo, beijo de verdade, justo no meio da “multidão”, nós que
prezávamos tanto pela discrição. Teve amor. Muito amor. Tanto amor que até
duvidaram que pudéssemos viver só de amor. Que até inventaram que não vivíamos só
de amor. Decepções. Reconquistas. Desculpas. Beijos. Um furo antes mesmo do nada.
O empurrão da Iza. O “chega pra lá” no Jo. Teve de tudo. Na esquina. Na praça.
No cinema. Ah, teve tanta coisa, amor!
O dia em que pedi para seu pai. O
meu “de acordo com as conformidades”. As roupas que eu nunca soube combinar. As
horas e horas no telefone. A lan house que quase nos separou. Os presentes bem bolados. O aniversário
ausente. Os aniversários presentes. As crises sempre superadas. Os beijos que
ninguém via. As músicas que descobrimos juntos. A Eva Wilma a nos emocionar. O BMB.
Ah, o BMB!
A sua última mensagem, que me
chega agora. Obrigado, eu, por tudo que aprendi. Obrigado, eu, por esses seis
anos. Obrigado por todas as descobertas – e por todas as renúncias. Chegamos,
amor. Chegamos onde tínhamos desenhado já naquele 07 de maio de 2006. Porque
sabíamos desde o início. Sabíamos desde aquela noite. Eu sabia, você sabia.
E vivemos com tal intensidade,
mas sem pressa. Tudo foi ao seu tempo. O que foi e o que ainda não foi. Sem
pressa porque sabíamos que não ia acabar a qualquer momento. E é essa certeza
que vai nos levar ao altar. Não só como um momento formal, protocolar, para
cumprir aquilo que Deus, a Igreja, a Família, a Moral e os Bons costumes nos
mandam. Hoje – quando comecei este texto era amanhã, mas agora, meu Deus!, já é
hoje – vamos consagrar esse amor, sacramentar, declarar ao mundo, testemunhar
que é ele que nos redime, que nos faz homens, que nos faz um. A partir de hoje,
mais que em qualquer outro momento, seremos sinal deste amor que nos une. De
tanto amar, nos transformaremos nele. Tal qual Francisco, que de tanto amar, se
tornou semelhante à coisa amada. Seremos o amor.
É difícil terminar esse texto. Entre
tantas outras coisas mais importantes, como o nó que começa a se formar na
garganta, é difícil porque já alternei tanto o estilo dele, andei por tantas as
pessoas (primeira, segunda, terceira, do plural, singular, e quais outros
existir) que não sei se alguém resistiu até aqui. Talvez só você. Ou, voltando
ao estilo original, talvez apenas Ela tenha resistido até o fim deste post. Mas
não importa, é para Ela que este texto existe. Para declarar o meu amor, para
tornar perene esta declaração, para dizer que não existe mais vida possível
para mim sem Ela.
Mas disso (tudo), desconfio que
Ela já saiba.