05/07/2011
As lições do Congresso - Pt. 1
08/06/2011
Somos todos bombeiros

Todos os que têm a oportunidade deveriam passar em frente às escadarias da Alerj. O que acontece lá por estes dias é destes eventos raros (e históricos) que não se repetem a todo o momento. Há uma vida que pulsa, vermelha, no Centro do Rio.
Estive por lá hoje. Ao contrário do que Cabral falou, não vi vândalo algum. Tampouco covardes. Vi trabalhadores, homens, mulheres e jovens, que estão sendo condenados apenas por exigirem o mais básico dos direitos: dignidade.
Mas eles resistem, eles combatem, eles lutam. E é impossível ficar indiferente à essa luta, sobretudo quando se está lá, no palco onde a História está se escrevendo. Tão impossível quanto segurar as lágrimas (que não segurei!) ao ouvir o grito, ver as faces, mirar a faixa que lá do alto sinaliza o essencial desta e de qualquer luta: “Resistir é preciso!”
Resistam, bombeiros. Vosso heroísmo não se dá apenas quando sobem a Serra e retiram a lama para que este mesmo governador que hoje os chama de covardes possa brilhar sob todos os holofotes. Vocês são heróis também quando resistem à tirania e nos ensinam que, sim, é preciso lutar.
Para quem acreditava que não existiam presos políticos ou crime de opinião no país, o episódio serve para lembrar o quanto ainda é frágil a democracia nesta Terra de Santa Cruz. Até o momento, são 439 trabalhadores presos por protestarem. Outras dezenas de policiais respondendo a processo por terem se negado a centrar fogo em seus companheiros de farda.
Na manifestação de hoje, um líder religioso citou o alcorão para lembrar que “Quem salva uma vida, salva toda a humanidade”. Eu não sou bombeiro, não tenho familiares bombeiros, sequer grandes amigos na corporação. Mas diante de tudo que vi, de tudo que este movimento representa, da luta legítima pelo pão... junto-me a eles e, tal qual um de seus gritos de ordem proclama, permito-me também me manifestar: Somos Todos Bombeiros. Mexeu com eles, mexeu comigo!
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22/05/2011
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira)
Esses versos sempre me impressionaram. A primeira vez que li, foi ainda no Ensino Fundamental, no início da minha adolescência. Nunca mais saíram da minha cabeça. Até que essa semana os versos do poeta se materializaram a poucos metros de mim. O jovem rapaz, quase um menino, revirava de maneira voraz o lixo à minha frente. E eu, na minha impotência, somente observava com os versos de Bandeira vindo à mente, mais chocantes que nunca: Meu Deus, era um homem!
25/04/2011
Mulheres do Borel
Jovens, às vezes muito jovens, com preocupações de adultas: filhos, casa, trabalho. Idosas com o mesmo fio de esperança do futuro que as crianças. Vidas diversas, com histórias distintas, mas um ponto comum: o desejo de construir uma vida nova a partir da mudança de ares vivenciada nestes últimos tempos. Mas ainda com receio; ainda com medo; ainda com desconfiança de que a paz esteja apenas passando uma temporada por aquelas bandas.
Entre tantos rostos, tantas histórias, uma mulher em especial me chamou a atenção. Seu nome? Maria da Paz - tão clichê que não caberia sequer numa novela de Manoel Carlos. Maria é uma síntese de todas aquelas mulheres que passaram por ali naquela tarde: trabalhadora, mãe, moradora do morro e agarrada à única perspectiva qe lhe apareceu em muitos anos, um curso para terminar o ensino fundamental e, quem sabe, reescrever seu futuro.
Maria é uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta.
30/03/2011
Viva a hipocrisia (ou Cegueira Coletiva)

Jair Bolsonaro diz que não corre o risco de ter o filho casado com uma negra – mas ele confundiu a pergunta, foi isso.
Torcedor joga banana para Neymar – mas era um adolescente, foi apenas um enorme mal entendido.
Afinal, não somos racistas. Temos horror ao racismo. Não queremos ver racistas na nossa frente nem pintados de ouro.
(José Saramago)
17/03/2011
Sobre Maria Bethânia e o MinC
A autoria é de @letrapreta:
Caso Maria Bethânia, alguém realmente sabe do que está falando?
Gente, tá todo mundo descendo a lenha na Maria Bethânia.
Mas não é exatamente um blog, né? São 365 vídeos, dirigidos pelo Andrucha e produzidos pela conspiração.
Sabe quando custa uma diária de câmera 5D com lentes, operador, tripé? Coisa de mil reais por dia.
Sabe uanto custa uma diária do Andrucha? OU de uma figurinista? De um maquiador? De um editor?
Sinceramente, está até barato.
E ela não está tirando dinheiro dos cofres públicos. Ela apenas recebeu autorização do ministério para captar, o que significa que ela tem um documento do ministério que a habilita para pedir dinheiro em empresas privadas para o projeto.
OUTRA COISA IMPORTANTE
É que mesmo sendo ativistas na internet, sempre achamos que internet é um meio menor né? Se ele colocasse a Maria Bethânia recitando num documentário no cinema ou vendesse pro canal brasil seria tudo certo 1,3 milhão. Cinema onde se paga ingresso. Canal Brasil que só pega em tv a cabo, paga.
Agora, um site que vai disponibilizar o mesmo material. Aí não pode. Vira "blog". Lembrem-se, se cada vídeo durar 1 minuto serão 365 minutos de material, o que siginifica muito mais que um longa metragem que tem hj em dia uma média de 120 minutos. Um longa de 120 minutos fica no mínimo 3, 4 meses em produção, e com tecnologias digitais, geralmente temos brutos de 10, 15 horas. SE CADA VÍDEO da Bethânia tiver 1 minuto, serão 3 longas metragem! E são cerca de 3 mil e 500 reais por vídeo. Sabe o que você faz com R$ 3.500 em audiovisual? Nem um clipe. Nem um institucional. Praticamente nada.
E outra coisa:
Ando um pouco de saco cheio da galera do twitter que retuíta qualquer porcaria sem ler e desce o pau sem a menor idéia do que está falando. E de jornalistas que só reproduzem matérias, um ctrl c crlt v safado, que não tem compromisso de informar ninguém, só de jogar materiazinha no ar.
09/03/2011
Descompassos
14/02/2011
Elas chegaram...
"Trabalhar empobrece, enfraquece e envelhece".
A afirmação, tão direta e lacônica, me pegou de surpresa. Em sua homenagem então, decidi que usarei os 30 dias que ganhei para "rejuvenescer".
Férias, amigos. Enfim férias!!!
P.S.: Alguma dica?
03/02/2011
O que Marx realmente disse
Karl Marx era um feroz crítico da religião. Disso não há dúvidas. Mas é preciso fazer justiça ao comunista. Talvez a frase mais conhecida de Marx seja “a religião é o ópio do povo”. Ele disse isso. Mas disse mais que isso. E tirar essa frase de contexto devia ser um crime lesa-pátria (ou "lesa-humanidade"). O trecho completo é bem mais rico e diz, entre outras coisas, que a religião é o coração de um mundo sem coração.
Ademais, repete-se essa frase sem a real consciência do que seja esse tal de ópio. Ópio é uma droga que anestesia a dor. A crítica de Marx se baseava nisso: a religião distrai, pacifica os oprimidos, faz com que os explorados acreditem que o sofrimento terá um recompensa futura. Inibe os homens de brigar pela justiça.
Nesse ponto, minha experiência religiosa me faz discordar frontalmente de Marx. Aliás, as práticas religiosas da igreja latinoamericana bastariam para desmoralizar essa crítica marxista. Contudo, sei que, fora das experiências libertadoras deste continente, a crítica do comunista faz muito sentido.
Mas sem aprofundar na crítica marxista, porque não sou, nem de longe, um conhecedor do tema, queria apenas trazer aqui o contexto em que a tão famosa frase foi dita. Ei-la em sua completude:
A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de situações desalmadas. A religião é o ópio do povo.
Aqui, o texto completo de onde se tirou a frase acima: http://migre.me/3Og1G
E aqui, um artigo bem interessante sobre a questão. Quando o li, este texto já estava praticamente fechado, mas me ajudou a solidificar algumas posições: http://migre.me/3OfZq
Como se não houvesse amanhã...
Na verdade, um comentário do Calino, no tal post, foi o que me despertou para uma coisa: os maiores revolucionários que já pisaram nesta Terra, de Cristo a Guevara, passando por Francisco de Assis e Mahatma Gandhi, pregavam uma revolução muito simples – a do Amor.
Acima dos dogmas religiosos, ideológicos ou culturais, o que une todas essas figuras emblemáticas é justamente a vontade de construir uma sociedade do bem comum, do fazer o bem sem olhar a quem, do amai ao próximo como a si mesmo.
Não foi Jesus Cristo quem pregou que o maior mandamento era o amor? Gandhi não declarou que não existia nada mais importante que o calor do coração? Francisco, o pequeno gigante de Assis, não dedicou sua vida inteira a isso?
E chegamos a Che, o guerreiro, o revolucionário, homem forte, líder de uma legião de jovens idealistas. O que foi que ele disse? O que pregou? Nada menos que isso: “Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionario é movido por grandes sentimentos de amor”.
Amar, essa é a revolução. Amor, pois, não é só um sentimento. É uma ação. Amor é prática, minha gente. E é essa prática, e somente ela, que pode realmente mudar o mundo. Parece piegas, mas essa me parece ser a verdade fundamental (a minha, ao menos).