02/04/2009
16/03/2009
Sobre a menina e a excomunhão...
(Notícia velha, eu sei. Velha, mas requentada...)
Caros amigos, sei que estou devendo uma nota sobre o caso da menina de nove anos. Mas o vaticano se adiantou e já publicou um artigo que expressa quase que a totalidade da minha opinião. Ainda assim, vou opinar (e polemizar?):
De vez em quando, alguns fatos acontecem que lançam dúvidas sobre nossas "certezas absolutas", jogam por terra toda a lógica da nossa ideologia e nos desafiam a repensar algumas questões que já tínhamos como definitivas.O caso dessa menina foi um desses fatos. Uma verdadeira tragédia que se deu em três atos:
I. O estupro da menina
II. A morte dos bebês
III. A excomunhão do bispo
Sinceramente, não sei o que leva um homem a abusar de uma criança.É tão rtepugnante, tão nojento, tão incompreensível que acho que foi o que me deixou mais atordoado nessa história toda. Desde os seis anos essa menina vinha sendo abusada, junto com sua irmã, que é deficiente mental. Meu Deus! Se não fosse essa gravidez, sabe-se lá até quando este homem continuaria agindo impunemente. Bendita gravidez!
Maldita gravidez! A natureza às vezes parece irracional: uma criança de nove anos, esperando outras duas crianças. Não, não havia condições de vida nem para a criança-mãe, nem para os bebês. A interrupção da vida intra-uterina era, sim, senão a única, a 'melhor' saída.Todos sabem de minha posição absolutamente contrária ao aborto. Por isso fico muito tranquilo pra declarar: a equipe médica foi coerente e agiu de forma a salvar a vida daquela que já estava mutilada - a menina.
Sobre isso, o artigo do Vaticano destacou: "Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que nós, homens de igreja, devemos ser mestres."
O caso ali não era de falta de condições psicológicas. Até porque acredito que causas psicológicas nunca justificam um aborto (afinal, o aborto não retira o trauma do estupro. Pelo contrário, com o aborto acrescenta-se um novo trauma à vida da pessoa). A questão era, principalmente, a falta de condições físicas para que aquela gestação se desenvolvesse e até mesmo para que a menina sobrevivesse. Neste sentido, o aborto foi quase que um ato de legítima defesa. Mato ou morro.
"Como agir nesses casos? É uma decisão difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso."(Vaticano)
A excomunhão proferida pelo bispo foi um ato de, no mínimo, incrível insensibilidade. Uma atitude precipitada, descabida e que me entristeceu. "[a criança]levava dentro de si outras vidas, tão inocentes quanto a sua, embora frutos da violência, e que foram suprimidas, mas isso não era suficiente para fazer um julgamento que pesa como um machado" (Vaticano)
Era hora da igreja acolher, abraçar. Amar como Jesus amou, como canta padre Zezinho. Infelizmente não foi assim: "[...]prejudicando a credibilidade de nosso ensinamento que, para muitos, parecem marcadas por insensibilidade, incompreensão e falta de misericórdia"
Felizmente a igreja se pronunciou. Primeiro com a CNBB, dizendo que ninguém está excomungado no caso. Depois, com esse belo artigo do vaticano publicado pelo presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella.
Quais as lições que ficam ao final deste caso?
Primeiro, devemos ficar alerta que esse foi um caso muito específico. Este episódio não fortalece nem enfraquece a tese "pró-legalização" porque, como disse, foi um caso especial. A exceção da regra. Continuo contra o aborto. Continuo um defensor incondicional da vida. E foi assim que me expressei neste caso: a vida da menina devia ser respeitada e valorizada.
Aprendi, sobretudo, que existem momentos em que a legislação estará em segundo plano (seja ela a constituição ou o direito canônico), pois a dignidade humana está acima de qualquer "livro de regras". O homem vale mais que a lei.
13/03/2009
Samba do amor e ódio
Nem há amor sem que uma hora
Cantado por Roberta Sá)
09/03/2009
Um Flamenguista em Branco e Preto
Foram quatro meses de rompimento. Logo eu, que sempre fui o maior fã, sempre acreditei, sempre defendi, durante esses ultimos meses me privei de esboçar qualquer reação positiva com relação ao cara. 06/03/2009
CNBB responde Gilmar Mendes
a Pastoral da Terra enviou à imprensa uma nota oficiAl, rebatendo as declarações do ministro Gilmar Mendes, que fez um discurso de criminalização dos movimentos sociais, em especial o MST. Selecionei alguns trechos, pois é muito grande. Mas é interessantíssimo!
Ainda quero escrever sobre a criança que abortou essa semana e as declarações do bispo. Aliás, já escrevi, só falta agora digitar. Ainda nessa fim de semana faço isso. Não percam! (rs)
Seguem os trechos da nota distribuída há pouco pela Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:
"A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais.
(...)
O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.
Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.
Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.
Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?
(...)
Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.
(...)
O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios.
(...)
O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.
O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).
Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!
Goiânia, 6 de março de 2009.
Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, Presidente da Comissão Pastoral da Terra"
05/03/2009
Tempo, pra que te quero...

27/02/2009
Feliz 2009 [2]
Sendo assim, Feliz Ano Nove pra vocês, caros amigos!
16/02/2009
Páginas Policiais
Rio de Janeiro, Zona Norte. Domingo, 19h
O ônibus em alta velocidade tenta, orientado por um passageiro, fugir da rota da PM. O caveirão, mais uma vez, estava invadindo um morro carioca - a Mangueira.
De repente, estamos na contramão da avenida e a tensão parece aumentar. O motorista ainda está um pouco perdido e agora nem os próprios passageiros conseguem entrar em consenso sobre o melhor caminho a seguir. À minha volta percebo alguns homens assustados, que entre uma Ave Maria e outra, abrem os olhos pra tentar enxergar uma saída.
Mas eu continuo tranquilo, bloquinho à mão, como se nada estivesse acontecendo.
Afinal, o que estava realmente acontendo?
"Mataram um maluco lá no Pedregulho" - avisa o policial, que à certa altura entra no ônibus.
"Ufa! Não é nada muito grave" - ouço, incrédulo, o suspiro aliviado de um passageiro.
A viagem segue tranquila (pro Jader, ao menos). Cruzamos, no caminho, com alguns outros veículos e os passageiros fazem questão de informar aos motoristas e pedestres desavisados o perigo iminente que surgiu naquelas bandas de lá.
Meu ônibus, para casa, sai em menos de cinco minutos, quando chego à rodoviária. Ali, o clima não estava menos tenso. Corre-corre, gritos, cirene... nada que fuja à rotina de um domingo a noite pós-clássico: torcedores rubro e alvi-negros se 'pegando' em frente à Novo Rio.
Mas, pra mim, tudo é novidade. Tudo vira foto, anotação. Tudo vira registro de blog...
Subir no ônibus, naquela noite, foi diferente. Ficou a sensação de ter deixado um mundo pra trás. Um mundo louco, curioso, dinâmico. Demorei um pouco pra perceber que aquilo era "mundo real", que vivi uma situação de risco, que um homem tinha morrido aquela noite e outros mais poderiam morrer, que não era tudo tão fantasioso como eu estava anotando no meu bloco. Não! Apesar do cenário sugerir, não eram cenas de novela...
Era o meu Rio de Janeiro. Um Rio que eu ainda não conhecia, a não ser pelos inúmeros noticiários que figuram os jornais diariamente. Um Rio fantástico, cheio homens e mulheres fantásticas, que mesmo depois de um susto (um baita susto, raciocino agora comigo), mantêm o sorriso furtivo no rosto, daqueles sorrisos que só esse povo consegue dar, pra lhe tranquilizar e desejar: "Boa Viagem. Vai com Deus!"
Um Rio que continua lindo e continua sendo...
13/02/2009
Machado de Assis, o carnaval e a chuva (quanta chuva!)

Machado de Assis, o maior escritor da história da literatura brasileira (minha opinião, ok)
Carnaval Carioca, a maior festa popular do mundo (idem, rs)
Chuva, o pior início de ano dos últimos anos (fato!)
São esses três 'personagens'que me motivaram a escrever neste blog hoje.
Há quanto tempo não chove tanto e tão forte em Volta Redonda? Desde que cheguei aqui, na semana passada, não teve um dia sequer de folga. E dizem que está assim desde o mês passado. São as águas de março(adiantadas), fechando o verão?
Me preocupa muito o nível do Paraíba do Sul. Mais uma semana assim, e não sei o que pode acontecer, pois alguns pontos da cidade já estão alagados, ruas instransitáveis.
É preciso pensar em algo pra fazer, antes que algo realmente muito ruim aconteça (além das lamentáveis mortes que já houveram...)
To registrando algumas fotos e, assim que puder, posto aqui pra quem não viu ainda como está a nossa cidade e o nosso rio(Paraíba).
Mocidade, a sua estrela sempre vai brilhar
Um show de poesia, em nossa academia
Saudade em verso e prosa vai ficar
Esse ano, o cardápio da sapucaí tá super variado - desde A origem do povo brasileiro, com a Mangueira, até a França, com a Grande Rio, passando por sereias, banhos, tambores, amores... até biocombustível vai rolar na Sapucaí este ano.
Mas o melhor enredo (e digo isto com a maior isenção) está nas mãos da minha escola de samba: Machado de Assis e Guimarães Rosa: há cem anos morria um e nascia outro, como uma espécie de troca de bastões entre eles - "A estrela adormece/ na paz do amor/ Abençoado um novo sol brilhou".
Donos de estilos literários e de vida completamente diferentes, fizeram história na literatura brasileira. Vai ser um carnaval bonito, gostoso de se ver. Espero que a Mocidade faça jus ao grande enredo que tem em mãos.
"O que eles disseram um ao outro, com simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita d eum a outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra as diziam eles"
(ahhh... que bom estar apaixonado né?! rs)